Por Mariana Nadaleto, G1 Santos
Os produtores rurais do Vale do Ribeira, região do interior paulista, estão enfrentando grandes dificuldades desde o início da pandemia do novo coronavírus. Isso porque, com o fechamento dos restaurantes e padarias, as vendas acabaram diminuindo consideravelmente. Dessa forma, os produtores e indústrias começaram a sofrer prejuízos.
O deputado estadual Caio França (PSB) tem sido procurado por produtores da região, famosa pela plantação de palmito pupunha, que relatam as dificuldades em razão da diminuição do mercado. Diante disso, o parlamentar fez uma indicação ao Governo do Estado, solicitando a implementação urgente de linhas de crédito.
Em sua justificativa, França afirma que o auxílio do Governo de São Paulo seria muito importante para estes produtores, que sempre colaboraram com a economia e abastecimento do estado. O parlamentar ainda não recebeu uma resposta sobre a sua solicitação.
A produtora de palmito pupunha Valquíria Evaristo de Queiroz, de 44 anos, diz que essa medida seria importante para garantir uma sobrevida aos produtores, que vivem apenas com a renda daquilo que conseguem vender. Porém, ela explica que essas linhas de crédito precisam ter taxas de juros baixas, ou então os trabalhadores nunca vão conseguir pagar.
“Estamos todos em uma situação desesperadora, muito complicada. Nós vivemos exclusivamente da produção rural, e os recursos não chegam à região, que é uma das mais pobres do estado. Um auxílio como a linha de crédito, com taxas baixas, seria de grande ajuda para conseguirmos manter as roças”, explica Valquíria, que também é vice-presidente da Associação dos Produtores de Pupunha de Registro e Região (Appurr).
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Região do Vale do Ribeira (SP) é conhecida pela produção de palmito — Foto: Divulgação/Valquíria Queiroz
A produtora explica que o palmito pupunha cresceu muito na região, e é vendido no varejo, em potes pequenos, ou em grandes quantidades para restaurantes e padarias. Mas, como o consumo diminuiu muito com a pandemia, os produtos acabaram ficando estocados. Além disso, muitas fábricas chegaram a ficar meses fechadas.
“Se a fábrica não vende, o produtor deixa de cortar. O maior problema é que o palmito tem um período certo de corte, que se não for seguido acaba atrasando todas as produções futuras, causando um prejuízo muito grande. Para tudo se estabilizar, precisamos que o consumo volte ao normal. Estamos estimando uma recuperação só entre janeiro e fevereiro”.
Matéria reproduzida do Porta G1