Durante este mês de junho muitos assuntos foram tratados no Legislativo Estadual com reflexo direto na vida do cidadão. Proposta extremamente polêmica e preocupante aprovada este mês foi o Projeto de Lei n. 251/21, de autoria do Executivo que propõe novas divisões regionais de saneamento básico, denominadas Unidades Regionais de Serviços de Abastecimento de Água Potável e Esgotamento Sanitário. A Região Metropolitana da Baixada passa a compor a unidade Sudeste, que abrange 370 municípios que têm contrato com a Sabesp.
É cada vez mais comum o governo paulista pautar projetos a toque de caixa, sem debater os temas exaustivamente com a população. No ranking da transparência, essa gestão ocupa a pior colocação. A ausência de diálogo com quem de fato entende do problema na ponta como os comitês de bacias hidrográficas, técnicos da área, especialistas e gestores municipais tem sido uma reclamação recorrente.
O governo justifica que o projeto segue as diretrizes do novo Marco Legal do Saneamento Básico, sancionado pelo governo federal e que a medida possibilita a implantação de subsídios cruzados entre municípios que compõem a mesma região, o que deve garantir tarifas médias de água e esgoto à população.
Como parlamentar e presidente da Comissão de Meio Ambiente da Alesp manifestei a minha preocupação com a divisão das unidades regionais. Um projeto de tamanha importância, com interferência imediata na vida das pessoas, apresenta muitas lacunas. A principal delas refere-se ao modelo de gestão. No meu entendimento, a Baixada Santista já faz parte de uma unidade regional de esgoto e água com nove municípios, todos eles com convênio atualizados em relação a Sabesp e previsões de investimentos garantidos neste contrato.
Não podemos considerar perder o que foi já foi acordado em razão dessas mudanças impostas por este marco legal. A Baixada Santista que é composta por nove municípios passará a ter 370 municípios numa mesma unidade regional e com realidades e peculiaridades totalmente distintas.
O governo estadual, por meio da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, não conseguiu me convencer quanto aos argumentos sobre alcançar sustentabilidade econômico-financeira, obter ganhos de escala, universalizar serviços. E das 22 emendas apresentadas, apenas quatro foram acatadas e seguiram para a sanção do governador do Estado, João Doria (PSDB).
A verdade é que o texto não detalha como a colaboração se dará de maneira prática. Essa aprovação, portanto, aponta para um cenário muito preocupante. Como parlamentar e presidente da Comissão de Meio Ambiente quero acompanhar e fiscalizar cada detalhe da implantação dessas unidades regionais.