Realizada hoje (4) em ambiente virtual, a CPI das Fake News da Assembleia Legislativa de São Paulo realizou a oitiva do deputado federal Alexandre Leite (DEM), autor do requerimento que originou a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso Nacional, sob a presidência do deputado estadual Caio França (PSB).
Embora autor do requerimento e o responsável por colher as assinaturas para a abertura da CPMI, o deputado se retirou da mesma assim que foi instalada por discordar da condução dos trabalhos. Segundo ele, a ideia era identificar o ‘modus operandi’ das fake news para a partir disso construir uma legislação eleitoral mais atualizada e proteger o processo eleitoral, o que deveria ser o cerne da questão, no ponto de vista dele.
Ele lamentou que a CPMI já esteja cumprindo o prazo de prorrogação em Brasília sem ter avançado neste tema diante da aproximação de mais uma eleição em novembro. “As fake news prejudicam o resultado das eleições, interferem na democracia e causam danos, muitas vezes irreversíveis, à imagem dos candidatos”, reforçou.
O parlamentar entende que houve uma contaminação ideológica do debate. “A minha saída foi uma forma de protesto. Houve um desvirtuamento de foco visando atingir a legitimidade do presidente Jair Bolsonaro. Sempre me posicionei a favor da investigação dessa indústria de difamação, mas virou uma perseguição”, afirmou.
Quando questionado pelos membros titulares da CPI se ele teria informações a respeito das eleições de 2018 no estado de São Paulo, ele alegou que acompanhou mais de perto o cenário em âmbito federal, mas de forma genérica afirmou que todos os partidos tiveram candidatos que se utilizaram das plataformas de disparo para produzir fake news nas últimas eleições.
Ao final da reunião, os deputados estaduais aprovaram três requerimentos, entre eles, a oitiva do responsável legal pela empresa ‘Dataulfo Desenvolvimento Web e Gestão de Redes’ e o encaminhamento de ofício à Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República, a fim de que forneça informações acerca do pagamento com verba pública, direta ou indiretamente, às empresas jornalísticas, no período de janeiro de 2019 até o presente momento.
A próxima reunião está prevista para ocorrer na próxima quinta-feira, dia 10 de setembro, às 10 horas. Participaram da reunião, os deputados estaduais Sargento Neri (Avante), Monica da Bancada Ativista (PSOL), Paulo Fiorilo (PT), Janaina Paschoal (PSL), Artur do Val (PATRI) e Edmir Chedid (DEM). A partir dessa semana, a deputada Maria Lucia Amary (PSDB) deixa de compor a CPI e será substituída pela deputada Carla Morando (PSDB).